Miami,uai

Fonte: www.revistaviverbrasil.com.br

Com pouquinho de exagero, é possível dizer que uma nova comunidade de mineiros está se formando na América do Norte, em especial, em uma beiradinha dos Estados Unidos: Miami, estado da Flórida, no sul do país. São empresários e profissionais liberais que estão comprando apartamentos de alto luxo em condomínios, de frente para a praia, com serviços sofisticados à disposição. Eles aproveitam a maré baixa nos Estados Unidos para adquirir alguns dos milhares de imóveis oferecidos a preços compatíveis ou inferiores aos de mesmo perfil de Belo Horizonte.

Se quiser comprar um imóvel de padrão médio na capital mineira hoje, o interessado terá de desembolsar cerca de 7 mil reais por metro quadrado. Pelo mesmo valor, ele compra um apartamento de alto luxo em Miami. Este cenário favorável leva mais e mais brasileiros – e mineiros – a comprar imóveis na cidade norte-americana. Com tanta demanda por compradores e ofertas de imóveis nos Estados Unidos, há imobiliárias brasileiras que estão investindo no negócio.

reprodução
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A história com Miami, para o empresário Anuar Donato, dono da Anuar Donato Consultoria Imobiliária, começou com um interesse particular. Há cerca de um ano, ele alugou um imóvel na cidade da Flórida, como experiência, para lazer, por ser uma cidade agradável, bonita e segura para passeios. Além disso, a cotação do dólar, que está em baixa, e as facilidades de voos, diretos ou não, ajudaram na decisão. O empresário gostou da experiência e, neste ano, teve a oportunidade de adquirir um apartamento no mesmo condomínio em que alugava uma unidade, no Williams Island. Depois, fez parceria com a Fortune, imobiliária de grande porte dos Estados Unidos, e, agora, também comercializa imóveis em Miami.

“Foi uma opção de lazer que está se transformando em possibilidade de negócios futuros”, diz Donato. Segundo ele, há interessados de todas as partes do Brasil e aproximadamente 25% das vendas de imóveis em Miami atualmente são para brasileiros. Ele observa que o procedimento para aquisição do bem é simples. Em um prazo de 15 a 30 dias, o comprador resolve a pendência. Não é necessário ter todo o dinheiro para pagamento à vista. As condições de financiamento lá também são atrativas. O comprador pode dar sinal de 30% e quitar o restante em até 30 anos.

JADEOCEAN: condomínio de alto luxo em Miami
JADEOCEAN: condomínio de alto luxo em Miami

Com 200 mil dólares (cerca de 340 mil reais) é possível comprar um apartamento de bom padrão, de 150 metros quadrados, diz o empresário. Preços irresistíveis, condições de pagamento favoráveis, facilidade de transporte, clima bom – em Miami, faz sol quase o ano inteiro –, segurança, familiaridade do idioma – lá, há muitos hispânicos e brasileiros – e, claro, a beleza da praia são fatores que estão mesmo atraindo os brasileiros. Anuar Donato, por exemplo, diz que conhece umas 30 pessoas de Belo Horizonte que compraram apartamento na cidade nos últimos três anos.

Outra empresária que foi atraída para Miami por lazer e acabou entrando para a área de negócios é Clausy Soraya Rodrigues. “Tenho um filho de 11 anos e outro de 30. Tive a ideia de comprar um apartamento de praia para férias. No fim de ano, sempre ficava preocupada com estrada, assalto, tiro nas praias da Bahia e do Rio. Então, comprei em Miami. Para chegar lá, é apenas uma noite ruim de sono”, conta. A viagem de avião para a cidade norte-americana dura de 7h a 8h, a partir de Belo Horizonte, em voo direto. Além disso, conforme a empresária, o gasto com passagem é quase o mesmo de uma viagem para o Nordeste, por exemplo.

RODRIGO MASCARENHAS: preferência pelo aluguel
RODRIGO MASCARENHAS: preferência pelo aluguel

Como Clausy Soraya havia sido corretora por muito tempo, enxergou a possibilidade de negócios em Miami. “Vi uma gama de imóveis à venda e pensei: por que não trabalhar com Miami? Muitas pessoas deixam de comprar lá porque não têm informação sobre a queda dos valores por causa da crise nos Estados Unidos.” Segundo ela, há imóveis com desconto de 30% porque foram devolvidos pelos donos aos bancos, que abatem o valor do sinal que o ex-proprietário já havia pago. Além disso, os juros para financiamento são de menos de 5% ao ano.

Assim, a empresária, dona da Greatimpex, fez parceria com a Realtor Sales e a Piquet Realty para comercializar os imóveis disponíveis em Miami para brasileiros. Ela observa que todo o procedimento é legal e rápido. Com relação às taxas, Clausy Soraya observa que não são muito diferentes das praticadas no Brasil, só que com mais vantagens. O condomínio em um conjunto de luxo, com serviço de estacionamento, spa, piscinas e elevadores codificados, por exemplo, sai cerca de 400 dólares (680 reais). O apartamento da empresária fica no Icon Brickell, empreedimento de alto luxo, mas, segundo ela, há opções de todo tipo: dentro ou fora de condomínios, em importantes avenidas, de luxo, de padrão médio, para aluguel ou para venda. É só o cliente escolher.

ICON BRICKEL: até o 15º andar funciona um hotel cinco estrelas
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A Piquet Realty, uma das empresas que fez parceria com Clausy Soares, é do empresário belo-horizontino Cristiano Piquet. Há 10 anos ele instalou a imobiliária em Miami. Hoje, o grupo Piquet Group tem nove empresas – do segmento imobiliário e de outros, como o automotivo. O sucesso no setor é tanto que ele recebeu, em 2009, o prêmio de melhor corretora da Flórida. Cristiano Piquet, sobrinho do ex-campeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, tem visto bem de perto a movimentação dos brasileiros em busca de imóveis na cidade norte-americana. Segundo o empresário, a procura aumentou a partir de 2008 e Minas tem grande fatia desse mercado. “Investir na América, hoje, é o mesmo que pagar seis e levar uma dúzia”, afirma Piquet.

Sem revelar números, o empresário diz que vendeu muitos imóveis para brasileiros em 2010. “Estou orgulhoso de ver o Brasil quebrando todos os recordes positivos”, afirma. Para ele, o que está influenciando a procura pelos bens em Miami é o fato de o paraíso (Miami) hoje já não ser mais tão caro. De acordo com Piquet, por 3,5 mil reais o metro quadrado, compra-se um bom imóvel na cidade da Flórida. “Pé na praia, custa 6,5 mil reais o metro quadrado”, diz. Além de vender unidades em Miami, o grupo Piquet tem serviços de assessoria para o brasileiro que precisa fazer a manutenção e pagar despesas, entre outros serviços. Também há parceria com a Artefato para que o comprador possa, no Brasil, fazer a escolha da decoração do apartamento ou casa nos Estados Unidos. “Ele escolhe e a gente entrega, sem custo adicional.”

CLAUSY SORAYA RODRIGUES: apartamento para passar férias em Miami
CLAUSY SORAYA RODRIGUES: apartamento para passar férias em Miami

Para aproveitar ainda mais o bom momento, a Piquet Realty está  fazendo outras parcerias no Brasil com interessados em divulgar as oportunidades em Miami. Um deles é o empresário Benito Porcaro, proprietário do Domus XX e atuante na área de eventos em Belo Horizonte. Ele foi a Miami para conhecer as possibilidades e acabou decidindo entrar para o negócio. “Conheço muita gente que tem apartamento lá. Por isso, meu interesse”, diz. Porcaro acrescenta que a tendência é que fique ainda mais atrativo ir para Miami por causa dos voos diretos e da queda no preço das passagens aéreas.

Situação provisória?

Um empresário de Belo Horizonte, que preferiu não ser identificado, conta que comprou apartamento em Miami porque estão muito baratos, mais que na capital mineira. “Miami é um paraíso! Falam portunhol, espanhol… é mais barato que ir para o Nordeste brasileiro. Muitos daqui estão indo para lá para montar enxoval”, diz. Para ele, a situação é provisória porque os Estados Unidos vão se recuperar da crise e, com isso, a valorização do dólar vai representar ganho para quem comprou imóvel no país norte-americano.

Mesmo com tantos atrativos favoráveis à compra de imóveis em Miami, há quem opte pelo aluguel. É o caso de Rodrigo Diniz Mascarenhas, ex-dono da RM Sistemas. A preferência pelo aluguel foi por critérios racionais. “Fiz as contas e vi que o rendimento que eu teria com o dinheiro (da compra) no banco seria maior que o aluguel que eu ia pagar”, observa. A despesa de Mascarenhas com o bem é de cerca de 7,5 mil dólares já incluso a taxa de condomínio. Ele conta que mora em um apartamento menor do que o que mantém em Miami, mas os valores dos dois são equivalentes. Mascarenhas está instalado também no Williams Island. “Parece Belo Horizonte. Tem umas 20 pessoas que eu conheço lá”, compara.

Divulgação
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O momento é tão positivo que as imobiliárias norte-americanas estão de olho no mercado brasileiro para dar vazão às ofertas disponíveis. O gerente geral de vendas da Valore Imóveis, Matheus Beirão, conta que, há pouco mais de um mês, a empresa foi procurada pela Fortune para firmar parceria. Desde então, começaram a apresentar aos mineiros imóveis em Miami. “Não tem um dia que não recebo uma ligação de pessoa interessada”, diz. Inclusive, enquanto ele era entrevistado pela reportagem, recebeu o bilhete da secretária com o contato de uma pessoa que havia acabado de ligar, procurando informações. No final de novembro, a Valore vai levar grupo de pessoas a Miami. A possibilidade é de vender sete unidades.

Segundo ele, o público interessado é classe A, formado por empresários, advogados, médicos e outras categorias profissionais. Procuram tanto para lazer quanto para negócios. No grupo que Matheus Beirão está levando para Miami, há três amigos que pretendem comprar juntos como investimento. A imobiliária está com imóveis em quatro condomínios de luxo: Icon Brickell, Artech, Jadeocean e The Blue. Para dar uma ideia de como são esses lugares, ele exemplifica com o Icon Brickell, que tem três torres, sendo que a menor tem 50 andares. Até o 15º andar, funciona um hotel cinco estrelas e, com isso, os moradores do prédio têm direito de usar os serviços do estabelecimento. Uma das piscinas é mundialmente famosa pelo design. São dois restaurantes. No último andar da torre, há lounge, com restaurante, academia, piscina, spinning e professores. Outro detalhe é que o hall é decorado pela Fendi, famosa grife de artigos femininos.

Nesses condomínios de altíssimo luxo um apartamento de cem metros quadrados tem o mesmo valor de outro, do mesmo tamanho, em Belo Horizonte, cerca de 7 mil reais por metro quadrado. Nos quatro, é possível encontrar imóveis de 190 mil dólares, de 60 a 80 metros quadrados,  a 2 milhões de dólares, de 300 metros quadrados, no melhor lado do prédio, de frente para o mar, com janelas totalmente em vidro.

BENITO PORCARO com Cristiano Piquet: parceria
BENITO PORCARO com Cristiano Piquet: parceria

Beirão observa que de 20% a 30% dos compradores nesses quatro empreendimentos são brasileiros. Os imóveis, diz, estão a 50% do valor de lançamento. O que provocou toda essa desvalorização imobiliária, de acordo com o coordenador do curso de MBA em Gestão e Negócios Imobiliários e da Construção Civil da FGV/IBS, Pedro Seixas, foi a crise financeira de 2008. Ela fez com que os valores de imóveis nos EUA despencassem. O professor destaca que o custo do financiamento é outro fator que torna mais acessível o imóvel. “O mercado de lá oferece financiamentos para a compra por estrangeiros que cobrem entre 60% e 70% do valor do imóvel, com taxas de 5% ou 6% ao ano.”

Pedro Seixas também destaca que a análise da alternativa de investir em imóveis fora do país deve levar em consideração fatores como riscos da vriação cambial, eventual tributação adicional, legislação específica local e dificuldade de administrar os ativos à distância, entre outros.

Sobre os riscos, o professor acrescenta que toda forma de investimento que aposta na valorização futura do ativo, e não no seu potencial de geração de receita, está sujeita às variações de cenário. Por isso, toda decisão de aquisição deve ser feita considerando a localização e a qualidade do imóvel. “Antes de investir, é importante que o comprador conheça muito bem a região onde está colocando seu capital. É preciso estar muito bem informado sobre o potencial e as características do local do imóvel”, afirma. Por fim, destaca que o interessado deve levar em conta a necessidade de liquidez, atual e futura. Se a pessoa quer comprar para lazer, passeios, férias, Pedro Seixas acredita que também precisa avaliar bem, por causa dos custos de transporte e manutenção, que podem ser iguais ao de hospedagem em hotéis, “com a desvantagem de não ter a possibilidade de variar o destino”. Independentemente dos riscos e desvantagens, Miami é a bola da vez para os belo-horizontinos.

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